ESTUDO SOBRE O BATISMO

Introdução

É ponto de concórdia entre a esmagadora maioria das igrejas genuinamente evangélicas que o batismo é um rito que não salva, isto é, não gera e nem produz a salvação no batizando; é também ponto comum que o uso do elemento externo – a água, e o nome da Trindade Santíssima são essenciais para o batismo cristão. Também é de comum acordo que o ministro do evangelho, o pastor, é quem ordinariamente administra tal sacramento. Entretanto, existem alguns pontos ensinados entre a maior parte dos evangélicos que não condizem com a verdade. A maioria das igrejas evangélicas, bem como diversas seitas, só aceitam o batismo por imersão total do corpo do batizando em água e negam este sacramento às crianças antes da idade da razão. Embora estas duas atitudes sejam erradas, grande parte do povo evangélico crê nestes ensinos como verdades absolutas e inquestionáveis.

O objetivo desta obra não é de ser um tratado para doutos teólogos, mas é de ser um manual simples e claro para o esclarecimento de qualquer membro leigo ou estudioso interessado na verdade do evangelho.

Aqueles que negam o batismo infantil (antipedobatistas) e exigem a imersão como única forma válida de batismo, causam mágoas e divisões no Corpo de Cristo por causa de assunto secundário. Por isso queremos deixar claro que o nosso objetivo não é contender, debater e nem responder a quem quer que seja, nosso objetivo é esclarecer aquelas mentes sinceras que indagam o por quê de sermos aspercionistas, ao contrário da maioria, e o por quê de sermos, da mesma forma, pedobatistas (favoráveis ao batismo infantil).

Trataremos o assunto da seguinte forma:

1. Por que aceitamos como válido o batismo por aspersão?

2. Por que aceitamos o batismo infantil? Analisaremos estes assuntos à luz da Bíblia e da História. Oferecemos também o argumento do apóstolo Pedro, que é retomado historicamente por Lutero. depois concluiremos à luz das evidências apresentadas.

É nosso desejo que o Deus Todo-Poderoso livre-nos de todo preconceito, abra nossas mentes e nos fale por Sua Palavra. Boa Leitura e que Deus o abençoe.

Capítulo 01

Por que aceitamos como válido o Batismo por Aspersão ?

a) Por uma questão hermenêutica (interpretação dos originais) – Todos os que estudam hermenêutica (a arte de interpretar textos, no caso, bíblicos) sabem que não se pode fazer doutrina em cima de exemplos, ao contrário, só se tem doutrina segura em cima de declarações diretas e ordens. Não existe nem ordem e nem declaração de Nosso Senhor Jesus Cristo e nem dos santos apóstolos exigindo a imersão, portanto qualquer forma de aplicar a água no batismo é válida.

b) Por uma questão exegética – Dizem os imersionistas que a palavra grega “baptizo” (batismo em português) significa EXCLUSIVAMENTE “imergir, mergulhar”. Isto, além de não ser verdade, é uma afronta a qualquer estudioso do Novo Testamento que se demore um pouco mais sobre o texto original. Citaremos aqui pelo menos três exemplos bíblicos onde ‘batismo’ significa “derramar ou aspergir”, a saber:

1) Mateus 3.11 – “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”, no cumprimento desta promessa vemos o Espírito Santo sendo derramado sobre as pessoas (Atos 2.3; Joel 2.28), ninguém foi mergulhado no Espírito, mas o Espírito desceu sobre eles, logo, aqui a palavra ‘batismo’ significa ‘derramar’.

2) Marcos 7.4 – a expressão “lavar” neste texto, é, no grego, ‘batismo’, e esta lavagem ritual judaica era feita vertendo-se água, derramando-a nos utensílios (Nm 8. 5-7) ou nas pessoas (Ez 36.25).

3) Hebreus 9.10 – a expressão “abluções” deste texto, é em grego ‘batismos’, e tais abluções eram aspersões no Antigo Testamento (Ex 29.21). É importante notar que muitas autoridades sérias, mesmo imersionistas, reconhecem a validade deste nosso argumento. A igreja adventista, que é um grupo imersionista, em seu livro oficial de doutrinas “Nisto Cremos” – 2A. edição, na página 253 afirma: “Em o Novo Testamento, o verbo batizar é utilizado 1) para referir-se ao batismo em água…; 2) como metáfora do sofrimento e morte de Cristo…; 3) em relação à vinda do Espírito Santo…; e

4) para abluções ou rituais de lavagem das mãos…” Assim também temos o testemunho de E. B. Fairfield, que tinha como incumbência fazer um trabalho onde ficasse provado que ‘batismo’ significa sempre ‘imersão’ e após profunda exegese bíblica declarou: “Mês após mês, durante mais de dois anos, lutei para manter a minha posição antiga, mas foi inútil. Surgiram contra mim fatos duros e sólidos. Tendo estudado a questão de ambos os lados, convenci-me do meu erro. Imersão não era o único batismo”. Temos ainda o testemunho do “Léxico do Novo Testamento Grego/Português”, páginas 40 e 41 que define “baptizo” como ‘mergulhar, imergir, lavagens rituais judaicas, lavar as mãos’, define também “baptismos” como ‘ablução, lavagem cerimonial, batismo’ e por fim define “bapto” como ‘molhar, embeber, salpicar’, o que é perfeitamente próprio para a aspersão. Finalizando esta questão exegética quero citar a definição de “Batismo” do Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, página 163: “Sacramento da igreja, que consiste materialmente em lançar água sobre a cabeça do neófito; ablução; imersão”. Assim sendo, se a palavra BAPTIZO pode significar também “aspergir”, “derramar”, eu posso batizar uma pessoa por aspersão ou derramamento.

c) Por uma questão contextual – Existem alguns casos de batismos na Bíblia onde a imersão seria impraticável, por exemplo: 1) Atos 2.41 – Três mil batizados em um só dia, na desértica Palestina, contando a igreja com apenas doze oficiais (os apóstolos), seria uma impossibilidade física (250 convertidos por oficial batizante), impossibilidade geográfica (pois a Palestina é carente de água) e impossibilidade lógica (pois os judeus não permitiriam o uso dos grandes rios de Israel para o batismo cristão de milhares de ex-adeptos do judaísmo). Levemos ainda em conta que este fato se deu em Jerusalém, cidade que não é cortada por rio algum, e o mesmo texto não fala e nem insinua o deslocamento das pessoas que foram batizadas. 2) Atos 9.17,18 – Saulo, mais tarde Paulo, que foi espetacularmente convertido a Cristo, ficou durante três dias cego e em jejum; logo estava fisicamente fraco. Quando Ananias lhe impôs as mãos e orou por ele, Paulo recuperou a visão, ficou em pé e foi batizado (veja toda a história em Atos 9.1-18). Nada indica que procuraram um rio para imergi-lo, pois era fisicamente impossível. Ele foi batizado de pé – como fazem os aspercionistas, e só depois se alimentou (Atos 9.19) para restabelecer suas forças físicas. 3) Atos 16.33 – O carcereiro de Filipos foi batizado de madrugada, após um terremoto, como não havia luz elétrica era impossível procurar um rio naquelas condições e se houvesse qualquer tanque na prisão provavelmente não sobreviveria ao terremoto, a imersão era ali impraticável. O pastor batista, portanto imersionista, Tácito da Gama Leite Filho, em seu livro “Seitas Proféticas”, na página 108, reconhece o fato: “O carcereiro de Filipos e seus familiares certamente não foram batizados num rio, pois era de madrugada e as portas da cidade estavam fechadas”; em assim sendo não poderia haver ali imersão.

d) Por uma questão simbológica – Como sabemos o batismo é um símbolo, no dizer de Santo Agostinho: “é um sinal visível de uma graça invisível”, e a aspersão preenche melhor as características deste simbolismo. O que, então, o batismo simboliza? O batismo com água simboliza o batismo com o Espírito Santo (Mateus 3.11; Atos 2.3) e a purificação dos nossos pecados em Cristo (Tito 3.5,6) ambos em forma de derramamento, isto é aspersão.

e) Por uma questão histórica – Diz-nos o Dr. C. I. Scofield: “Desde cedo na história da Igreja tem havido três diferentes modos de batismo: aspersão (borrifamento); afusão (derramamento) e imersão (mergulhamento)”. Se sempre houve as três formas, é porque são elas igualmente válidas. Além disto, tanto Flávio Josefo (cerca de 50 AD) como o Filho de Sirach (cerca de 200 AC) entendiam o batismo como sendo uma purificação por aspersão, o que nos mostra bem o conceito de ‘batismo’ entre os judeus nos três séculos ao redor da vida terrena de Jesus. Adicionalmente, o ‘Didaquê’, documento catequético datado de 100 AD, declara-nos abertamente em seu capítulo 7, verso 3: “Na falta de uma e de outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Vemos assim que a Igreja Primitiva usava também a aspersão como modo lícito de batismo, penso que isto é historicamente irrefutável.

f) Por uma questão prática – Esclarece o fato o Rev. Amos R. Binney: “O modo de imersão é desfavorável à prática universal, enquanto que os outros modos podem ser usados em qualquer lugar, em qualquer tempo ou estação do ano e a qualquer pessoa: na solidão do deserto, ou no meio da cidade apertada; ao lado do Jordão, na casa de Cornélio, na prisão de Filipos, na cruz do penitente, ou na cama do enfermo ou do moribundo. Além disso, o batismo pela afusão ou aspersão pode sempre realizar-se com decência, modéstia e segurança, o que não se pode dizer da imersão , como muitos poderiam testificar”.

g) Por uma questão de coerência – Quando o Senhor Jesus Cristo instituiu a Santa Ceia, fê-lo durante o jantar pascal judaico (Mateus 26.17-30). Segundo o rito judeu, Jesus tinha em suas mãos pão ásimo de tamanho normal (pois era um jantar) e vinho com teor alcoólico (haja visto alguns, em Corinto, se embriagarem – 1 Co 11.20-22). Enquanto comiam é que Jesus instituiu este sacramento (Mateus 26.26), que tinha originalmente, portanto, proporções de jantar (a palavra grega é “deipnon”, que era a mais abundante refeição do dia para os gregos). Hoje em dia, quase a unanimidade das igrejas evangélicas celebram a Ceia com minúsculos pedaços de pão (na maioria dos casos, fermentados) e suco de uva, o que demonstra claramente que a forma não implica na validade ou não do ato. Se como querem alguns, o batismo só é válido por imersão, pelo fato de, segundo eles, Jesus e outros terem sido assim batizados (sendo que há sérias dúvidas sobre isto), a Ceia só seria válida com pão ásimo, vinho alcoólico e em quantidade de refeição completa. Como sabemos que, no caso da ceia, ninguém exige a chamada ‘forma original’, por coerência não podemos exigir também o mesmo no batismo, se é que podemos determinar qual a ‘forma original’ do batismo cristão.

h) Por uma questão tipológica – Em 1 Pedro 3.20,21 as Escrituras nos dizem que o episódio do dilúvio e da arca de Noé é figura, ou seja, um tipo do batismo cristão. Se olharmos em Gênesis 7.13-24, veremos que a arca com os justos (que são os que devem receber o batismo) não foi imersa em água, ao contrário a água foi derramada, isto é aspergida do céu em forma de chuva e a arca flutuou sobre as águas da grande enchente. Somente os ímpios pereceram submersos. Preferimos o exemplo dos justos.

Refutando o erro

Com base em algumas passagens isoladas, e mal compreendidas da Bíblia, alguns querem afirmar que só a imersão é forma válida de batismo. Não vemos isto nas páginas sagradas, e, portanto, queremos refutar algumas interpretações no mínimo duvidosas:

1) Romanos 6.4 e Colossenses 2.12 – principalmente a expressão ‘sepultados com Cristo pelo batismo’. Aqui Paulo não fala de batismo com água; é uma expressão simbólica, como também são as expressões ‘plantados’ e ‘crucificados’, seria uma impossibilidade lógica tomá-las ao pé da letra, pois ser plantado com Cristo num tanque batismal é coisa demorada e de difícil execução, haja visto que Jesus não foi enterrado como fazemos hoje e sim colocado em uma caverna (Mateus 27.59,60) o que derruba o hipotético simbolismo imersionista. Nestes textos Paulo fala do batismo espiritual, ou seja, da união do crente com Cristo em realidades espirituais (Filipenses 3.10).

2) Mateus 3.6 – A expressão “no Jordão”, demonstra no caso apenas o lugar onde João Batista batizava e não a forma. Alguns entendem que por ele batizar em um rio (local) teria de batizar por imersão (forma). Nada mais ilógico e sem conexão de per si. Isto é um sofisma.

3)Atos 8.38,39 – A expressão ‘entraram’ e ‘saíram da água’, entendem alguns como o ato da imersão. Isto, além de ser hilário, é impossível, pois estas frases se aplicam tanto a Filipe como ao Eunuco, isto é batizador e batizando, foram os dois mergulhados no rio?

4) João 3.23 – Segundo os imersionistas, a expressão ‘porque havia ali muitas águas’ implica necessariamente imersão, pois somente ela exige muitas águas. Isso não é verdadeiro, principalmente quando se sabe que João batizava multidões diariamente (Lucas 3.7; Marcos 1.5; Mateus 3.5,6), o que seria impossível no rito imersionista. Portanto as “muitas águas” eram necessárias por causa da multidão e não da suposta imersão.

Pelo exposto até aqui, cremos e ensinamos que não é a forma que concede vitalidade ao batismo bíblico. Aceitamos como válidas todas as formas de batismo evangélico; o que rejeitamos é o exclusivismo \”hidrólatra\” de alguns, que, por motivo de somenos importância, abrem feridas dolorosas no Corpo de Cristo, separando os irmãos. Somos, portanto, contrários ao rebatismo de evangélicos e cremos que tanto a aspersão como a imersão ou a afusão são igualmente aceitáveis a Deus, sendo isto o que realmente importa.

Capítulo 02

Por Que Aceitamos o Batismo Infantil?

[Para fins de melhor compreensão deste assunto, quando usarmos a expressão “crianças”, estaremos falando de crianças antes da idade da razão e quando usarmos a expressão “adultos” estaremos falando de pessoas que já atingiram ou ultrapassaram a idade da razão, incluindo pré-adolescentes e adolescentes.] Assim sendo, passemos a questão proposta. Aceitamos o batismo infantil porque:

a) O Batismo é o Rito de Inserção no Povo de Deus – No Antigo Testamento, era-se inserido no povo do pacto pelo rito da circuncisão (Gênesis 17.9-14), que era realizado no bebê com oito dias de nascido (Gênesis 17.12). Paulo ensina que, no Novo Testamento, o batismo é a circuncisão de Cristo (Colossenses 2.11,12). Logo, as crianças podem receber o batismo no Novo Testamento como recebiam a circuncisão no Antigo Testamento. Se Jesus tivesse retirado este privilégio delas, isto estaria explícito no Novo Testamento, o que não ocorre. As crianças continuam, portanto, a fazer parte do povo de Deus, e devem receber o sinal visível do pacto: o batismo.

b) Cristo mandou batizar as nações – Em Mateus 28.19 [‘Edição Revista e Corrigida’ da Imprensa Bíblica Brasileira (editora batista)], lemos: “Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (grifo nosso). O Senhor Jesus Cristo ordenou, aqui, que se batizassem as nações que a Ele se convertessem, logo isto inclui as crianças, pois fazem e sempre fizeram parte integrante das nações. Ninguém exclui os pequeninos do conceito “nação”. Isso é obvio nos recenseamentos; as crianças de uma nação são parte dela, e uma vez que todas as nações devem ser batizadas, elas também o devem.

c) A Bíblia Fala de Batismos de Famílias Inteiras – (Atos 16.15; Atos 16.33; 1 Coríntios 1.16). No ambiente judaico do Novo Testamento, é impossível dissociar as crianças menores do conceito “família” ou “casa”. Nos dias de hoje, agimos de igual modo: nossas crianças fazem parte da família; logo, se alguém foi batizado com sua família, com os seus ou com sua casa, inclui obrigatoriamente os menores, principalmente quando lembramos o fato da numerosidade de filhos que havia nas famílias mais antigas.

d) A Bíblia Narra Batismos Infantis – Em 1 Coríntios 10.1,2, as Escrituras dizem que os israelitas, ao saírem do Egito, foram batizados na nuvem e no mar, e o verso seis acrescenta: “estas cousas se tornaram exemplos para nós” (grifo nosso). Mas qual o exemplo? E quais israelitas receberam tal batismo? A Escritura responde: “Assim partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar mulheres e crianças” (Êxodo 12.37 – grifo nosso). Portanto, as crianças também foram batizadas na nuvem e no mar, e, segundo a declaração paulina, é isto um exemplo para nós hoje (1 Coríntios 10.6).

e) Não Há Proibição Bíblica Para o Batismo Infantil – Como já vimos, o Senhor Jesus ordenou que batizássemos as nações, o que inclui os infantes, mas em lugar nenhum Jesus ou os apóstolos proibiram o batismo infantil; se não está proibido, mas outrossim ordenado, é porque não só pode como deve ser realizado batismos em crianças; afinal foi o Mestre quem disse: “Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais” (Marcos 10.14).

f) A História Judaica Comprova a Prática do Batismo Infantil – Todos sabemos que tanto o batismo de João Batista, como o batismo cristão derivam-se do batismo dos prosélitos (convertidos) judeus, e, como passamos a demonstrar, o povo de Israel batizava o gentio que se convertia ao judaísmo, bem como seus filhos na infância. O Talmud Babilônico (coletânea histórico-teológica dos judeus) nos diz a este respeito: “Se os filhos e as filhas forem convertidos com um prosélito, então eles receberão o mesmo tratamento… Numa tal conversão exigi-se que estes prosélitos sejam batizados, mesmo na sua infância”. O grande teólogo judeu Maimônides escreveu e disse: “O israelita que adota uma pequena criança pagã, ou a achar abandonada, e a mandar batizar, com isto faz dela uma prosélita” (convertida). Fica assim suficientemente comprovado que tanto os antigos como os atuais judeus batizam crianças.

g) A História da Igreja Cristã Comprova a Prática do Batismo Infantil –
1) Justino, o mártir (89-166 d.C.) afirmava “Muitos cristãos, tanto homens como mulheres, que desde sua infância já se tornaram discípulos, ficaram solteiros e imaculados até a idade de sessenta anos”. Dizia também “O batismo é a circuncisão do Novo Testamento”. No grego, ele usa o mesmo verbo que Jesus usou em Mateus 28.19, ou seja estas pessoas foram feitas discípulos e batizadas na infância em plena era apostólica.

2) Orígenes de Alexandria (184-254 d.C.) dizia: “Segundo o costume da igreja, o batismo é aplicado às crianças pequenas”, e ensinava ainda: “Por esta razão, a igrejas, desde os tempos dos apóstolos, têm a tradição de batizar até crianças”. Falou também: “Crianças pequenas devem ser batizadas”. Isso mostra que os crentes do segundo e terceiro séculos preservavam a tradição ou costume apostólico de batizar crianças.

3) Tertuliano (200 d.C.) combateu o batismo infantil, o que prova que ele era amplamente praticado em seu tempo, disse ele: “Por causa da natureza, da disposição e também da idade das pessoas é muito mais proveitoso adiar o batismo; e este é, especialmente, o caso das crianças pequenas” (grifo nosso). Embora ele fosse contrário ao batismo infantil, ele reconhecia sua existência que na sua época era quase universal.

4) Cipriano (258 d. C.) declarou a Fido: “E assim, caríssimo irmão, foi a decisão final do nosso Concílio (em Cartago) que ninguém deveria ser impedido de ser batizado e, desta maneira, participar da graça de Deus, o qual é misericordioso, bom e fiel para com todos. Daí este divino propósito deve ser procurado para todos, e mui especialmente para crianças pequenas e recém nascidos”. Esta decisão foi tomada pelo Concílio de Cartago, em 254 d.C. Composto por 66 bispos, este concílio decidiu sobre se uma criança podia ou não ser batizada antes dos oito dias de vida, portanto ele não criou o batismo infantil, como maldosamente insinuam alguns, ele apenas resolveu uma questão sobre uma prática muito mais antiga, como já vimos.

5) Agostinho (354-430 d.C.) foi o maior dos doutores da igreja antiga e, em sua luta contra o pelagianismo, declarou: “Os pelagianos nunca ousaram negar o batismo infantil, porque eles sabem que, se o negassem, teriam contra si toda a igreja”. Depois ainda afirmou: “toda a igreja está praticando o batismo infantil” e disse que este uso foi “herdado dos apóstolos”.

6) Pelágio (330 d.C.) disse: “Nunca ouvi de um herético ímpio que tivesse afirmado que recém-nascidos não deveriam ser batizados”. (Isto porque ele não viveu no nosso século.) Assim vemos que a história favorece a prática do batismo infantil, não só as histórias judaica e cristã, mas o próprio texto bíblico nos leva para este caminho.

h) Os Filhos dos Crentes São Herdeiros do Pacto de Deus com Seu Povo – A Bíblia fala que os filhos dos crentes são santificados como herdeiros das promessas de Deus (1 Coríntios 7.14; Atos 3.25) e, portanto, são aptos para receberem o sinal visível desse pacto, a saber, o batismo (Atos 2.38,39). Pedro exorta àqueles que ingressaram pelo novo nascimento no reino de Deus a que se batizem e afirma que esta promessa – o pacto com Deus e seu sinal visível (o batismo) – são extensivos aos filhos dos crentes, por isso batizamos crianças. Veja novamente: Atos 2.38,29.

i) Precisamos ter Atitudes Coerentes – Muitas igrejas negam o batismo às crianças pequenas, e, entretanto, batizam “sob profissão de fé” menores de 5, 6 ou 7 anos. O pior é que essas igrejas, normalmente batistas, concedem a estes infantes de 5 anos direito a voto na Assembléia Geral da Igreja. Será isto correto? Pode um menino de cinco anos convidar ou exonerar um pastor? Vender ou adquirir um imóvel? Excluir ou admitir um outro membro? Como pode ele então votar em tais questões? Um batismo destes é batismo infantil, pois a profissão de fé de uma criança de cinco anos é no mínimo questionável. Por coerência, se eu posso batizar uma criança de cinco anos, sob profissão de fé suspeita (visto que, como disse um certo pastor batista: “tomar a profissão de fé de crianças é difícil, pois nem sempre elas sabem se expressar como nós”) posso também batizar uma criança de três ou dois anos, ou até de oito dias, pois em todos os casos o futuro espiritual destas crianças dependerá de sua formação cristã ou não. É muito mais coerente, batizá-la na infância e tomar-lhe a profissão de fé na idade da razão, como fazem os pedobatistas.

Refutando o Erro

A maioria daqueles que negam o batismo às crianças o fazem sob o argumento de que elas não podem exercer fé pessoal, e se apoiam em textos como: Marcos 16.16; Atos 2.41; Atos 8.12,37; Atos 16.31-33. O problema é que estes textos só se aplicam aos adultos e aí é que está o erro de interpretação destas pessoas. O Rev. Amos R. Binney explica a situação: “Que não se exige a fé nas crianças é evidente pelo fato de que a falta de verdadeira fé, que desqualifica uma pessoa para o batismo, também a exclui da salvação (Marcos 16.16; João 3.18,36)”. É obvio, portanto, que fé só se exige dos adultos, e as crianças, que são salvas sem uma decisão de fé pessoal, são da mesma forma batizadas. Aqueles adversários do batismo infantil que insistem em negar este sacramento aos pequeninos por falta de fé, terão de, pelo mesmo motivo, atirá-los ao inferno. É uma questão de lógica e hermenêutica. Você crê nisto?

Capítulo 03

O Argumento de Pedro

O apóstolo Pedro argumentou em favor do batismo dos gentios da seguinte forma: “Porventura pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?” (Atos 10.47). Martinho Lutero retomou este argumento em prol do batismo de crianças dizendo que se Deus concede o Espírito Santo a quem é nesta idade batizado é porque Ele entende tal batismo como válido. Nós entendemos também que, se Deus concede o Espírito Santo aos que são batizados por aspersão e na infância é sinal que Ele aceita esta forma de batismo, ou na pior das hipóteses, Ele não leva isto em consideração.

Se Deus não se importa com isto, nós não devemos então nos separar, dividir e nos ofender mutuamente por coisa de somenos importância.

Discordamos da posição descaridosa do Pastor Enéas Tognini em classificar os não imersionistas de “desobedientes” (Eclesiologia – página 63). O cego de nascença a quem Jesus, curou nos ensina dizendo: “Sabemos que Deus não atende a pecadores, mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende” (João 9.31). Se somos “desobedientes” de forma tão contumaz, como Deus nos concedeu o seu Espírito? Basta olhar para a história cristã e ver a benção que foram as vidas de Martinho Lutero, João Calvino, Ulrico Zwinglio, João Knox, João Wesley e tantos outros homens grandemente usados por Deus, todos eles batizados por aspersão e na infância.

Conclusão

À luz das evidências apresentadas, chegamos a algumas conclusões básicas:

1. O modo ou forma de se realizar o batismo não é de importância vital para o valor do sacramento; isto é, qualquer das três formas é válida e bíblica. Preferimos a aspersão por uma questão de praticidade e simbologia.

2. O importante no sacramento do batismo é que ele deve ser realizado em uma igreja genuinamente evangélica, em nome da Santíssima Trindade, ordinariamente realizado por um ministro do evangelho (pastor) e com o uso do elemento externo: água.

3. Não se justifica em hipótese nenhuma o rebatismo de alguém já batizado em outra igreja genuinamente evangélica (Efésios 4.5), independentemente da forma do batismo usado e da idade do batizando.

4. Os bebês e as crianças em qualquer idade são aptos a receberem o batismo como herdeiros da promessa que são (1 Coríntios 7.14).

5. Fé só é pré-requisito para adultos receberem o batismo, as crianças o recebem baseadas no pacto de Deus com seu povo.

Tendo exposto tudo isto, gostaríamos de deixar claro que nossas atitudes quanto ao batismo baseiam-se na Bíblia e não em tradições humanas. Escrevemos nossos argumentos com o intuito de esclarecer muitos irmãos que, sem conhecer nossas razões, gratuitamente nos atacam e por vezes nos negam até a destra da fraternidade cristã. Esperamos em Deus que estas atitudes em breve tempo terminem e possamos nos respeitar, mesmo aqueles que, sendo irmãos, descordem de nós.

Toda Glória somente a DEUS !

Apêndice 01

A Circuncisão de Cristo

A Bíblia Sagrada nos apresenta Deus como um ser absolutamente imutável, sábio, justo e bom. Apresenta-nos também o Todo-poderoso como zeloso por sua Palavra. Assim sendo, deparamo-nos com uma importante instituição divina que, por desconhecimento, preconceito, simplismo ou simplesmente para ‘ser diferente de’, tem sido negligenciada por muitos cristão, e em especial muitos evangélicos. Estou falando da circuncisão.

Em Gênesis 17.9-14, Deus firmou um pacto com Abraão, pelo qual a descendência deste seria escolhida entre as nações como povo peculiar do Senhor, e, como povo santo, todo menino que nascesse neste povo ou de alguma forma a ele aderisse receberia o sinal deste pacto. Recebê-lo-ia ao oitavo dia de vida e mais tarde, na idade da razão, este garoto de livre vontade confirmaria o pacto feito por seus pais na sua infância se tornando assim um “bar mitzvá” (do aramaico: filho do mandamento). O mais interessante é que este pacto é chamado nas Escrituras de “concerto perpétuo” (Gênesis 17.13), portanto este pacto não teria fim.
Em nenhum lugar do Novo Testamento, Jesus cancela este pacto, haja visto ser ele “perpétuo”. O Senhor e seus apóstolos somente lhe ampliaram o sentido, como fizeram com toda a lei. Agora ele não é mais nacional e masculino somente, ele é universal e geral. O apóstolo e rabino Paulo de Tarso nos explica que o batismo cristão é a circuncisão de Cristo (Colossenses 2.11,12), e Lucas nos esclarece que na nova aliança, esta circuncisão de Cristo aplica-se também às mulheres (Atos 8.12). Assim sendo, entendemos que grande número de evangélicos, ao negarem o batismo a seus filhinhos, estão lhe negando as bênçãos do pacto de Deus com Abraão, de quem somos filhos pela fé (Gálatas 3.29).

Cremos que é vontade de Deus entrar em pacto com todos os pequeninos de seu povo (1 Coríntios 7.14). Como fazia no Antigo Testamento, quer fazer agora, pois de uma maneira sobrenatural e miraculosa estes pequeninos crêem no Senhor (Mateus 18.6) e portanto são aptos para o batismo. Mais tarde, na idade da razão, assim como os garotos judeus, nossos filhos livremente, confirmarão o pacto através de sua pública profissão de fé (Romanos 10.9,10).

Em assim sendo, torna-se perigoso negar aos filhinhos as bênçãos batismais, com o risco de serem eles eliminados do povo do Senhor (Gênesis 17.14). Portanto, senhores pais apresentem seus filhos ao batismo, ministros incentivem seu povo a buscar a circuncisão de Cristo e o Senhor Jesus os abençoará.

Apêndice 02

Perguntas e Respostas Sobre o Batismo Bíblico

1. Por que os cristãos realizam o batismo ?

Porque Nosso Senhor Jesus Cristo o ordenou (Mateus 28.19 – “…fazei discípulos de todas as nações batizando-os…”), assim sendo o batismo não é facultativo mas obrigatório.

2. Qual o efeito do batismo ?

O batismo não salva e não lava pecados, ele é um símbolo do pacto feito entre DEUS e o Seu povo. Quem nos salva é a graça de Deus, mediante a fé em Cristo (Efésios 2.8,9) e o que lava os nossos pecados é somente o sangue de Jesus Cristo (1 João 1.7).

3. Por que compete exclusivamente ao pastor ministrar o sacramento do batismo?

Porque o apóstolo Paulo nos orienta a fazermos tudo com decência e ordem (1 Coríntios 14.40) e, sendo o pastor o presbítero que preside a igreja, (1 Timóteo 5.17) compete a ele celebrar tais ordenanças sagradas.

4. Por que alguns evangélicos batizam por aspersão enquanto outros preferem batizar por imersão ?

Por vários motivos. Entre eles podemos citar:

a) Não existe ordem ou mandamento bíblico obrigando-nos ao uso de uma ou outra forma. Exemplos, enquanto possam ser bons, não são fontes de doutrina. Alguns argumentam que a palavra grega BAPTIZO, que traduzimos em português por batismo, quer dizer sempre e em todo caso “mergulho”. Quem tal coisa afirma ou desconhece o idioma grego ou é profundamente tendencioso. Em Mateus 3.11 fala-se de batizar com o Espírito Santo, aqui esta palavra tem sentido de “derramar” como podemos ver em Joel 2.28-32 e Atos 2.3. Outro exemplo encontra-se em Marcos 7.3,4 onde a palavra ‘lavar’ é em grego “batismos”, tal lavagem era realizada pelo entornar de água sobre a mão ou utensílios. Um outro caso é o de Hebreus 9.10 onde aparece a palavra ‘abluções’ no original grego é “batismos” e tais abluções do Antigo Testamento as quais o autor de Hebreus estava se referindo eram “aspersões” (Ezequiel 36.25). Assim sendo, podemos deduzir que a palavra grega BAPTIZO pode significar tanto mergulhar, como derramar, aspergir ou lavar e, portanto, não se pode usar Mateus 28.19 para exigir-se a imersão, pois o Senhor ordenou-nos batizar e não disse a forma. Sem mandamento específico tudo mais é mera conjectura.

b) Como batizar com água simboliza, entre outras coisas, o batismo com o Espírito Santo (Mateus 3.11) e como este é realizado por derramamento (Atos 2.3; Joel 2.28-32), entendemos que também a água deve ser derramada por sobre o batizando.

c) Embora o batismo não salve, ele é obrigatório a todos os discípulos de Jesus (Mateus 28.19) e muitos não podem receber o batismo por imersão, haja visto o fato de estarem inválidos, adoentados, em idade avançada e outros motivos justos, ao contrário disto o batismo por aspersão pode sempre ser aplicado a todas as pessoas e em qualquer lugar.

d) Paulo nos orienta a decência e ordem no culto (1 Coríntios 14.40), em culto batismal aspercionista isto sempre é possível, já em culto batismal imersionista acontece por vezes fatos hilariantes e até constrangedores, o que não está de acordo com o espírito do cristianismo.

e) A Bíblia ensina que Paulo foi batizado em pé e dentro de um quarto, estando ele debilitado fisicamente; logo, não pode ele ter sido imerso em lugar nenhum, podendo no entanto ter sido aspergido com eficiência e segurança (Atos 9.1-19).

f) A Bíblia também nos mostra diversos batismos que não poderiam ter sido imersões, a saber: Os batismos ministrados por João Batista, inclusive o de Jesus, pois João batizava multidões diariamente (Lucas 3.7), o tornava impossível para um homem se utilizar da imersão, enquanto era plenamente viável a aspersão; outro caso é o dos três mil que os apóstolos batizaram dentro de Jerusalém (Atos 2.1-41). Como dentro de Jerusalém não passa rio e o texto não indica deslocamento de ninguém para outra parte, como poderiam eles terem sido imersos? Leve-se também em conta a oposição que os judeus certamente levantariam contra os apóstolos e os novos cristãos. Não há possibilidade de imersão de um tão grande número de pessoas, mas a aspersão é plausível e aceitável neste texto; um outro caso ainda é o do carcereiro de Filipos, que foi batizado na prisão ou em sua casa. Naquela época as casas não possuíam banheiro como hoje; como, então, realizar-se uma imersão durante a madrugada? A aspersão é lógica e provável (Atos 16.27-34).

g) Aspergir na Bíblia dá a idéia de purificar (Ezequiel 36.25; Tito 3.5,6) e este é um dos símbolos do batismo bíblico (1 João 1.7).

h) Alguns argumentam em favor da imersão com Romanos 6.3,4 e Colossenses 2.12, usando as expressões “sepultados com Cristo” ou outras semelhantes. Aqui, devemos entender que este texto não está falando de batismo com água, mas de batismo espiritual, ou seja, do novo nascimento, pois o batismo com água não produz a morte do velho homem e nem o novo nascimento, que é pela fé em Cristo; logo, os textos não apóiam a imersão, visto que não estão falando do rito do batismo com água.

i) Finalizando esta parte do estudo, gostaria de deixar claro que não são os aspercionistas que dividem o Corpo de Cristo por causa deste assunto, pois nós aceitamos qualquer batismo genuinamente evangélico, mas pela clareza das Escrituras realizamos os nossos batismos por aspersão.

5. Por que alguns evangélicos batizam bebês e criancinhas enquanto outros não o fazem ?

Por várias razões, das quais citaremos algumas a seguir:

a) Porque o batismo cristão é, segundo a Bíblia, a circuncisão de Cristo (Colossenses 2.11,12). A circuncisão foi estabelecida por Deus como sinal e selo do pacto entre Ele e Seu povo escolhido (Gênesis 17.9-14), e ela seria uma “aliança perpétua”. Aquilo que é perpétuo não acaba; portanto, a circuncisão tinha de permanecer mesmo no Novo Testamento. Ela, no entanto, permaneceu como o batismo, com uma única alteração, que é o fato de agora ela abranger também as mulheres (Atos 8.12). Em assim sendo, se a criança recebia a circuncisão ao oitavo dia de nascido (Gênesis 17.12) e esta aliança ainda está em vigor por ser perpétua, podemos circuncidar em Cristo, isto é batizar, também os nossos pequeninos.

b) Pedro diz que o batismo é para os pais crentes e também seus filhos (Atos 2.38,39), a palavra grega aqui para ‘filhos’ (technos) significa na verdade “filhinhos”, portanto também as criancinhas são herdeiras do pacto e, portanto, aptas a receber o sinal do mesmo – o batismo.

c) A Bíblia narra batismos de casas inteiras (Atos 16.15,33, por exemplo). Conhecendo o conceito de família na antiguidade, sabemos que, tanto entre os judeus como entre os gentios, incluíam-se os recém nascidos. Além disso, sabendo do grande número de filhos que estas famílias possuíam, é mais do que natural que nelas houvesse infantes que foram batizados com seus pais.

d) A Bíblia narra um caso claro de batismo infantil; Paulo declara que a passagem de Israel pelo mar vermelho foi seu batismo e declara que todos os que ali passaram foram assim batizados (1 Coríntios 10.1,2). Entre estes israelitas com certeza havia crianças (Êxodo 12.37); logo, também elas foram batizadas junto com seus pais. Paulo ainda nos ensina que isto foi um exemplo para nós, a igreja do Novo Testamento (1 Coríntios 10.11). Sigamos, portanto, o exemplo bíblico.

e) Como os judeus na antiga aliança circuncidavam suas crianças e o batismo substituiu a circuncisão, se as crianças não pudessem ser também batizadas na nova aliança, deveria haver uma proibição clara a este respeito no Novo Testamento, como não há, é porque continua vigorando a permissão do Antigo Testamento. (Há um princípio jurídico que diz que uma lei só pode ser revogada por outra lei).

f) Alguns argumentam com base de Marcos 16.16 e textos semelhantes que as crianças são excluídas do batismo por não exercitarem fé pessoal. Se isto é de fato assim, elas teriam de ser excluídas da salvação pelo mesmo motivo, e não são (Marcos 10.14). Concluímos, pois, que estes textos foram escritos para adultos e não incluem as crianças. Os adultos precisam de uma profissão de fé antes do batismo e a eles foi destinado estes versículos; isto não inclui crianças pois, caso contrário, seriam excluídas do céu, o que é um absurdo. Nossos oponentes aqui cometem um sério erro de hermenêutica: esquecem-se de ‘perguntar ao texto’ a quem ele se destina e qual o seu objetivo. É como pegar 2 Tessalonicenses 3.10 – “…se alguém não quer trabalhar, também não coma” e aplicá-lo a um bebê. Deveríamos então deixá-lo morrer de fome? Se seguirmos a interpretação de nossos outros irmãos parece-me que sim, mas nem eles mesmos fariam tamanha aberração. Então, porque usar dois pesos e duas medidas ?

6. Por que alguns evangélicos usam e outros não usam “padrinhos” no batismo infantil ?

O costume de usar padrinhos no batismo vem da Igreja antiga que em tempos de perseguição exigia que os candidatos ao batismo fossem apresentados por cristãos fiéis que declaravam ser o candidato um autêntico convertido ao cristianismo, pretendia-se com isso eliminar os falsos crentes, este costume perdurou pelos séculos e hoje os padrinhos funcionam basicamente como testemunhas do batismo (Jo 8.17); aqueles que não adotam padrinhos alegam que este costume é muito arraigado na mentalidade católica romana e para estabelecer a diferença não o adotam; particularmente entendemos tratar-se de um bom costume cristão, portanto, não pertencente a nenhuma denominação exclusivamente e assim pensamos que deve ser mantido.

7.Em nome de quem devemos ser batizados ?

O Senhor Jesus Cristo foi claro em sua ordem: “…em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28.19). Atualmente algumas seitas interpretando erradamente textos com Atos 19.5 e outros semelhantes afirmam que deve-se batizar em nome do Senhor Jesus, querendo agradá-lo acabam por desobedecê-lo. Quando a Bíblia fala em batizar em nome de uma pessoa, está dizendo batizar na religião ou grupo daquela pessoa (por exemplo: 1 Coríntios 1.13-15). Isto é apenas uma forma de falar usada pelos judeus antigos. Portanto, quem quer ser fiel a Jesus, deve ser batizado como ele mandou e não usando o nome dele em vão, para desobedecê-lo.

8. Em resumo, o que é essencial para haver um batismo bíblico válido ?

a) O batismo deve ser realizado por um ministro do evangelho (pastor), em uma igreja genuinamente evangélica.

b) O batismo deve usar o elemento externo água, independente da quantidade, da forma ou da idade do batizando.

c) O batismo deve ser feito em nome da Santíssima Trindade.

Apêndice 03

O Batismo Infantil

Vivemos em um tempo de absoluto individualismo egoísta, onde a família é completamente desvalorizada. Infelizmente essa nefasta influência tem chegado também ao campo da religião.

Não poucos grupos eclesiásticos exigem fé pessoal (leia-se racional) como pré-requisito ao batismo cristão. Até o século XVI a Igreja Cristã era quase que unânime em aprovar o batismo infantil, com pouquíssimas exceções. A partir dessa data, e com o surgimento do movimento anabatista veio também a inovação antipedobatista (que nega o batismo infantil).

Hoje, a maioria dos evangélicos nega o batismo as criancinhas afirmando que a “Bíblia” exige fé como requisito ao batismo e respaldam sua doutrina em textos como Mc 16.16, At 2.41 e At 8.36,37.

Raciocinemos, pois: se o único empecilho ao batismo infantil é a suposta falta de fé, então não há empecilho, pois Nosso Senhor Jesus Cristo declara textualmente que os “pequeninos crêem em mim” (Mt 18.6); logo, se o problema era fé já não o é mais e os pequeninos podem ser batizados licitamente.

Quando olhamos no original a palavra que Cristo usou, e foi registrada sob inspiração do Espírito Santo, em Mateus 18.6 que é “mikrôn” e conferimos o seu significado nos bons léxicos e dicionários descobrimos que ela significa além de “pequeninos” também “crianças”; logo, as crianças possuem uma fé em Cristo, que, embora não seja fé racional, é pessoal e salvífica, por isso os filhos dos crentes são chamados “santos” (1 Co 7.14). Esse termo é usado no Novo Testamento apenas para os salvos e membros da Igreja Cristã, e por isso Jesus declarou: “das tais é o reino do céu” (Mc 10.14).

Se uma criança não pudesse ser batizada por falta de fé, teria que, pelo mesmo motivo, ser condenada ao inferno (Mc 16.16), o que pela graça de Deus não ocorre. Logo, as crianças crêem em Cristo e são aptas para o batismo. Apresentemos, portanto, nossos filhinhos para o batismo cristão e assim Deus os abençoará e a nós também.

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Autor: Rev. Sandro Bussinger Sampaio
Fonte: Textos da Reforma

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