Oração debaixo de um zimbro

A dramática história do profeta Elias foi re-apresentada, em 1846, com o Oratório (Op. 70 em duas partes) de F. B. Mendelssohn, em Birmingham.

Acerca de Acabe a Bíblia registra: “E fez Acabe, filho de Onri, o que era mau aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele…” (I Rs 16.30,31). Contra Acabe e Jezabel, adoradores de Baal e assassinos dos profetas, Elias irrompe em Samaria, no Reino de Israel (reino do Norte), em tempo de apostasia, corrupção, crise, fome, idolatria, imoralidade, injustiça social e perseguição aos profetas do Deus de Israel.

Então a batalha espiritual anunciava e aturdia com juízo conclamando o povo a decidir a quem servir: ao Deus de Israel ou a Baal. Elias aprendeu a depender do SENHOR, o Deus de Israel, e não vacilou: profetizou a falta de chuva e de orvalho (I Rs 17.1); combateu o pecado de Acabe, chamando-o de perturbador de Israel (I Rs 18.18); desafiou os profetas de Baal (I Rs 18.22-40) e predisse a morte do rei Acabe e de sua esposa Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios (I Rs 22.17-24).

Essa eletrizante história de Elias desde o impressionante pressagio da seca e falta de orvalho até o seu maravilhoso traslado aos Céus aparece nas Escrituras do Primeiro Testamento, mais precisamente em 1 Reis 17.1 até 2 Rs 2.11.

F. B. Mendelssohn apresenta cenas dessa luta a exigir enorme esforço dos cantores (árias, corais, quartetos, recitativos, tercetos) dos músicos e em especial da regência.

O auge dessa batalha contra os falsos profetas se dá em Carmelo. Em atenção à oração de Elias o Eterno faz descer fogo do céu que incendeia e consome os pedaços  do sacrifício encharcados com água. Definitivamente, Baal estava derrotado aos olhos de todos os falsos profetas que comiam da despensa do palácio, intensificavam a idolatria em Israel e mantinham o culto a Baal.  Em obediência à Lei de Moisés (Dt. 13.6-9; 17.2-5) foram mortos. Justiça da Lei.

O homem de Deus prostra-se em oração perante o Eterno, enquanto as nuvens começam e despejam abundante chuva em resposta à incessante oração (1 Rs 18.44).

Ouvindo dizer que Jezabel prometera mata-lo, Elias foge em direção à Berseba, mais ao sul, onde deixa o seu ajudante. Depois de dia inteiro pelo deserto ei-lo se deita à sombra de um zimbro. Continuemos com PETERSEN, William J., Elias, Um Homem nas Mãos de Deus. Vida Nova, pp. 106-107.

 

“No sul de Berseba ficava o deserto do Neguebe e depois o do Sinai. Era uma terra de ninguém. Após viajar por um dia sob o escaldante calor do deserto, Elias caiu desfalecido sob um zimbro. Embora o zimbro jamais pudesse ser confundido com um frondoso carvalho, quando se está no deserto qualquer sombra é bem-vinda. Alguns tradutores chamam-no de junípero, mas trata-se, na realidade, de um arbusto do deserto, com ramos delgados, folhas pequenas e amarelas.

A oração de Elias sob o zimbro foi de profundo desânimo: “Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.” (I Reis 19:4). A propósito, essa é a quarta fez que o primeiro livro dos Reis menciona que Elias orou. Na primeira vez, um filho foi restaurado à vida; na segunda, caiu fogo do céu; na terceira, vieram chuvas após uma seca de três anos.  Mas dessa vez Deus não atendeu ao pedido de Elias.

A oração de Elias não fazia sentido. O profeta estava fugindo de Jezabel para salvar a vida, mas agora pedia que Deus a tirasse! Estava tão confuso quanto nós às vezes ficamos em nossas orações. Felizmente o Espírito Santo é o grande esclarecedor de nossas orações confusas. As palavras de nossos pedidos surgem em certas ocasiões tão misturadas quanto um novelo de lã depois de dois gatinhos levados terem brincado com ele; mas o Espírito desembaraça tudo, pacientemente, e apresenta ao Pai.”

 

F. B. Mendelssohn descreve a cena de Elias debaixo do zimbro ao fim daquela jornada. Ele alega desgaste, deseja encerrar o ministério, não mais sofrer o sofrimento que é duradouro e neste esforço de oração ele adormece. Exaustão e medo.

Inesperadamente um anjo de Deus aparece com água na botija e pão sobre a pedra; o emissário celestial desperta o homem de Deus e lhe oferece alimento para o corpo e conforte espiritual.

O compositor narra com o solo de alto, a meu ver dos mais belos do oratório, o momento em que o anjo de Deus conforta e entrega a orientação para os dias seguintes.  Pauta (piano), canto e orquestra.

Mendelssohn Elijah O Rest In The Lord Op. 70 n. 31

Pauta (piano)

https://www.youtube.com/watch?v=49VGMYwU-8k

Canto (inglês) Christina Wilcox

https://www.youtube.com/watch?v=mspew4FHrOc

“O rest in the Lord, wait patiently for Him

and He shall give thee thy heart’s desires.

Commit thy way unto Him, and trust in Him,

and fret not thyself because of evildoers.

O rest in the Lord, wait patiently for Him.”

Canto (alemão) – acesse em 1:39:56 – Christianne Stotijn

https://www.youtube.com/watch?v=xAA2RJJ8zAI

“Sei stille dem Herrn und warte auf ihn;

der wird dir geben, was dein herz wünscht.

Befiehl ihm deine Wege und hoffe auf ihn.

Steh ab vom Zorn und laß den Grimm.

Sei stille dem Herrn und warte auf ihn.”

O Salmo 37.3-7 está presente na ária:

“Descansa no SENHOR, espera nele

e Ele concederá os desejos do teu coração.

Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele

e não te indignes por causa dos malfeitores.

Descansa no SENHOR e pacientemente por Ele espera.”

O alimento celestial e o conforto espiritual da parte de Deus inteiram as necessidades do idoso profeta (entre 75 e 80). O momento é de fortalecimento e orientação ao desalentado de coração.

O Oratório lembra que Elias não mais deveria preocupar-se por causa de malfeitores, mas deveria continuar completamente comprometido com Deus que atenderá aos desejos do seu coração.

Ouvir a composição e se envolver na interpretação que Mendelssohn dá à cena do anjo assistindo ao homem de Deus desperta emoções intensas. Basta que contemplemos o exausto e idoso profeta à sombra do zimbro no contexto da história de ministério profético e de vida. Elias insiste em oração “Basta!”; mas o Eterno não o atenderá nesta oração, pois algo muito superior e surpreendente está reservado para o profeta – algo que deve ser conhecido nos Céus e noticiado às gerações. Não há condenação. Nesse ministério já próximo do termo não há nódoa. O importante é a lembrança de que qualquer um de nós está sujeito às fraquezas e limitações da natureza humana que podem ser afastadas com a devoção firme, andando por fé e não pelo que nós vemos (2 Co. 4.18), exercendo a fé em Jesus do início ao fim e na constância de Cristo Jesus (Rm. 1.16,17 cf. 2 Ts. 3.5).

Para os próximos quarenta dias e quarenta noites está diante de Elias a caminhada até o deserto até Horebe, o monte de Deus, na Arábia (Gl. 4.25). Neste lugar a Lei foi escrita pelo dedo de Deus (Êx. 34.1 cf. Dt. 10.1-5) diante do espanto de Moisés, homem de Deus.

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