Quando não mais dá tempo

A madrugada avançava.

A movimentação de pessoas e de veículo ambulância quebrou o silêncio no Hospital Central do Exército em Triagem, Rio de Janeiro. Certo doente dava entrada na Enfermaria para um longo dia de cuidados e exames…

Como gemia! Certamente, para não despertar os demais pacientes hospitalizados, colocaram o infeliz na sala do enfermeiro de plantão. Deixaram ali as instruções para nova dose de morfina e providências de rotina. E se retiraram.

Dava pena!

De aspecto assustador, esse homem sofria de deformações generalizadas pela doença neurofibromatose. Dois tumores sobressaiam no rosto, dando a impressão de alguém fugido de um circo de horrores.

Finalmente me aproximei. O estranho estava bem ali na minha frente. Olhos arregalados, gemendo, magro e suado. Precisava de alimento, atenção, banho e conforto…

Ele me olhava e queria dizer alguma coisa. Instintivamente, imaginei que ouviria alguma expressão da última vontade. Pensei em procurar alguma caneta e papel para fazer anotações; e a Bíblia para confortar seu coração com a leitura de algum Salmo.

– Meu Deus! Misericórdia! Me dá forças… me dá oportunidade pra chegar lá. Eu o ouvi balbuciado a chorosa oração.

Finalmente interrompi o meu espanto e perguntei:

– De que você mais precisa?

– Preciso chegar em casa… preciso pedir perdão ao pastor…

Este o pior dos tormentos: a consciência em pânico na hora extrema. Atentamente, fui me dando contas de algo importante. Desviado do Evangelho e sem comunhão com Deus, ele estava como que horrorizado com o peso de sua consciência. Distante de sua casa em Manhumirim – MG, uns 500 kms., o homem pressentia o fim. Entre ele e seu antigo pastor acontecera algum desentendimento e as marcas ficaram.

– Preciso confessar os meus erros, pessoalmente, pedir perdão, porque brigamos e eu errei. Fiz feio! Provoquei escândalo na cidade…

Já não bastavam as dores que estremeciam o seu corpo deformado e laceravam-lhe a alma. Agora o homem chorava. Lágrimas de dor escorriam entre remorsos,, temores e tumores, enquanto repetia:

– Preciso ir lá… preciso ir lá, quero pedir perdão e receber paz no meu coração… Meu Deus! Meu Deus, misericórdia…

– Não dá mais tempo! Meu amigo, é viagem de ônibus para um dia inteiro… Mas se você confessar a Deus os seus pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os seus pecados. Neste instante! Você obterá a paz que precisa para descansar…

– Que tristeza, meu Deus! Preciso ir lá… preciso…

– Não dá mais tempo! Creia! Jesus liberta! Jesus liberta neste momento!

De repente, algo estremeceu o espírito daquele filho de Deus. E logo, certa luz muito forte invadiu o quarto de hospital. Eu me vi cercado por algo como que uma onda de amor e perdão, ao mesmo tempo em que aquele crente começou a falar em línguas, coisa que eu nunca tinha ouvido.

Neste momento éramos dois necessitados: ele de cura e libertação de seus medos; e eu precisava romper com certas doutrinas religiosas que negavam o ardente batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais, especialmente o dom de falar em línguas.

– Meu Deus! Me perdoa… Era a frase que eu entendia e não mais que esta frase. Mistério para mim. O restante das expressões eram em espírito e entre ele e Deus. Será que aquele mistério de algum modo me alcançaria?!

Ele se esforçou para ficar de pé, não conseguiu e nem precisava. É sempre assim: a graça de Deus nos alcança como estamos.

Mais tarde entendi que ele falava em línguas estranhas, expressando adoração ao Pai em um nível que naquele tempo eu não conhecia, a não ser na experiência dos cristãos primitivos e nos relatos de bons livros de autores pentecostais.

 Na medida em que seu espírito se enchia de amor, conforto e de gozo celestial, o semblante mostrava contentamento e fortalecimento interior. Era como se a medida da graça de Deus invadisse o espírito daquele doente moribundo e o lavasse de todos os seus pecados ainda que nos momentos finais deste lado da existência. E assim como começou, foi diminuindo… até que ele se acomodou no leito.

O espírito interior estava fortalecido pelo Espírito de Deus. O perdão de Deus havia sido derramado no espírito daquele crente Jesus. Perdão era o que ele mais precisava e o alcançara bem ali, do jeito que ele se encontrava e na condição em que invocou o Nome do SENHOR…

O homem se aquietou profundamente. Pareceu-me dormindo e feliz. Não tenho noção do tempo que fiquei ali com ele, cerca de uma hora, talvez, até que não mais ouvi queixas de dores e necessidade de longa viagem pelas estradas… Então, por algum motivo precisei sair do quarto.

Sendo crente em Jesus eu desejava conversar com ele, especialmente, a respeito daquele mistério que eu presenciara. Eu queria alcançar aquela experiência pentecostal.

Aliás, aquela era a primeira vez que eu me via em meio a certo êxtase de “fé em Jesus”, algo impressionante, incluindo estranho poder pentecostal. Certamente aquele irmão em Cristo me ensinaria algo de novo… e com este propósito me dirigi ao quarto onde o deixara descansando.

Surpreso fiquei ao perceber que o dia amanhecera para aquele filho de Deus. Ele havia alcançado a cura de todos os seus medos, sofrimentos, tremores, tristezas e tumores…

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Em nome da ética democrática, que a data original e origem da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

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Expressões e frases em itálico aparecem em apostilas da ICM-PES.

Imagens colocadas no artigo como ilustração foram retiradas da Internet (Google) e também dos textos aqui postados, presumindo serem de domínio público. No caso que haja alguma imagem sem os créditos devidos não foi intencional; e, deste modo agradeceria em nos avisar que colocaremos os créditos.

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5 Respostas para “Quando não mais dá tempo”

  1. Hadassa disse:

    “Neste momento éramos dois necessitados: ele de cura e libertação de seus medos; e eu precisava romper com certas doutrinas religiosas que negavam o ardente batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais”.
     
    Quando citado o fato dessa maneira me sinto transportada até a pregação pura do evangelho pela igreja primitiva, e vejo quão longe estamos do propósito de Deus quanto ao nosso culto e pregação; pois percebemos como está imersa a igreja em doutrinas que só afastam os fiéis da verdadeira adoração. Quanto tempo perdido!!!

  2. ARosa disse:

    CV!
    Que linda e comovente história. Essa narrativa nos faz refletir de como Deus é capaz de usar a quem Ele deseja usar e na forma que só Ele sabe fazer, só pra nos dizer que há tempo de tudo em nossa jornada terrena. Há tempo para o perdão, para o amor, para o ensinamento, para a obtenção da garantia de uma vida eterna através da salvação em Jesus Cristo e a certeza maior de que próximo está o grande dia em que estaremos com Ele na glória. Ah! Como ansiamos por este dia, não? Fique na Paz de Deus nosso Pai.
    ARosa

  3. Agnaldo disse:

    Como é bonito o evangelho puro e simples, o pedido de perdão feito a Deus diretamente atravéz do filho. Simples, maseficaz, poderoso, vivo. Quão bom seria voltarmos a essa simplicidade.Me comoveu essa história, comoveu e me fez meditar. Obrigado.

  4. eva da costa rabelo disse:

    Deus não esta filiado a qualquer nome de igreja mas ele usa a quem quer e aonde quer. E maravilhoso o amor de Deus.

    Quando era pequena ouvia um pastor de uma igreja onde eu cresci que pregava e dele saia palavras vindas do Espírito Santo e eu uma criança bebia suas palavras que ficaram no meu coração.

    Deus o usava com poder e sei que ainda o usa.

    Deus tem propósitos no derramar do seu Espírito Santo. Ele tem pressa em usar e salvar.
    .
    .
    Olá, Eva da Costa Rabelo

    Bem vinda.

    Escreva…

    Esse relato é verdadeiro… e bem sei que Deus poderá usar você também desse modo… e até mais.

    Feliz ANO NOVO para V. e sua família.

    CV.

  5. Cavaleiro Veloz disse:

    A apostasia comunitária encurralou a Maranata em beco sem saída. A enganação corre solta. A heresia entrou para ficar. Por isso mesmo a decadência da Maranata é notória.

    http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2011/08/beco-sem-saida/

    http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/a-decadencia-da-maranata/

    A linguagem do não-pensamento abriu a fantasia idiotizada e isto se fez campo fértil para falso dons a mensagem além da letra. Falam bobagens, imaginam coisas vãs e inventam profecias (no modelo Obra) que o Diabo se agrada em ouvir, porquanto o Diabo “é o pai da mentira” e seus filhos fazem o que ele inspira e orienta. Leia mais

    http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2009/11/a-linguagem-do-nao-pensamento/

    Assim, clamor pelo sangue, consulta enganadora e dons inventados aparecem para confirmar o batismo com o Espírito Santo – entendeu a sequencia? Pergunta-se: como duas heresias (clamor e consulta) somadas a falsos dons conseguem impor como Dogma (gedeltista) e ratificar o que somente pode vir dos Céus?

    Baita mentira! Este não foi o ensino dos apóstolos de Cristo. Não existe isto no Novo Testamento. Não existe isto na Teologia Pentecostal. O batismo com o Espírito Santo é poder sobrenatural graciosamente outorgado ao crente em Jesus para que dê testemunho a favor de Cristo.

    Esses hipócritas do Conselho Presbiteral se preocupam em agradar e elogiar o dono da empresa, encurralar a membresia e dela extrair dízimos, impor o jugo do gedeltismo, manter a frequência aos cultos e nos seminários (com pagamento de seguros); fora o fisiologismo político que rendeu processos contra a fundação Manoel dos Passos Barros. E correm comunicados com mais jugo, mais não toqueis nos meus ungidos, e nada… nada mesmo com a esperança, a fé, a justiça, a misericórdia, a santidade, a sinceridade e o amor fraternal.

    http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2013/10/acredite-se-quiser/

    http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2014/12/denuncia-recebida-indisponibilidade-dos-bens/

    http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2013/11/a-babilonia-prostituida/comment-page-1/#comment-12331

    Evidentemente, com a enxurrada de erros e falsos dons gerados com o falso batismo com o Espírito Santo o mestre-profeta concebeu dois erros graves:

    1) aperfeiçoamento dos dons e
    2) ministério acima dos dons
    ;

    e isto passou a ser DOGMA, considerado mistério da Obra. Ora, o dogma religioso apresenta afirmações inquestionáveis que devem ser ensinadas com autoridade. Basta ver isto na ICAR: o Papa jamais se insurge contra o DOGMA e assim é na ICM: O Papa não contradiz o mistério da Obra. Assim, na ICAR e na ICM afirmam e insistem: o dogma foi revelado por Deus.

    Então, o ERRO ganhou a aura de FUNDAMENTOS DA OBRA e isto é ensinado com autoridade especialmente entre os PRINCIPIANTES na formatação idiotizante no modelo Obra. O falante com pose de mestre nos seminários da Obra obedece o dogma e nem pensa: ele afirma, dogmatiza, insiste e os participantes recebem e passam a crer na crença do mestre-profeta.

    http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2011/03/opiniao-seminarios-da-obra/

    O pior acontece: para enfatizar o ensino do falso mestre algum profetizador de plantão despeja a profetada em cima do povo medroso que NUNCA examina as Escrituras. Infelizmente, o erro continua entre eles, pois foi entregue com a força de mistérios da Obra que veio da eternidade.

    O que esperar de falsos profetas e de maus pastores, facilmente instigados pelo ódio religioso, impondo do DOGMA DO GEDELTISMO ?

    Que doutrina é essa?
    Que “evangelho” é esse?
    Que igreja é essa?
    Que OBRA é essa?

    Se mais não bastasse, não consigo dizer de outra forma: os filhos do gedeltismo andam no centro do erro comendo frutos da grande heresia maranática servidos por meia solas (Gedelti emprega essa expressão ao se referir aos pastores).

    http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2010/03/o-desastre-da-heresia-icemita/

    “O SENHOR é minha justiça.”

    CV.

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